sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Punariti

Devoradores de dejeto, lodo e lama, os Punariti são exímios escavadores e nadadores. Possuem uma bolsa ventral onde armazenam um ácido que os ajuda a dissolver carcaça e pedra.

Em combate, eles atacam com sua mordida e costumar "marcar" seus adversários com um pequeno jato de seu ácido, que não chega a causar dano, mas ilumina suas vítimas aos olhos de todos durante 4 horas e aos olhos dos que possuem infravisão pelas próximas 20 horas.

Nas margens apresenta um andar desajeitado e aparência semelhante a um cachorro, porém, ao se sentir ameaçado rapidamente se enterra tornando a aparecer apenas quando se sente seguro ou quando a fome o vence.

Encurralados, eles viram de barriga pra cima, uma última tentativa desesperada de oferecer a bolsa ventral cheia de ácido, que se perfurada jorra ácido em grande quantidade no atacante.

Possuem longas orelhas, patas escavadoras anteriores e nadadeiras posteriores, são cobertos por escamas e longos pelos em constante queda e crescimento.

CA 13 HD 1 (4 hp) Atq 1 mordida +1 (1d6) MOV 6m (na água) 3m(tunelando) 1,5m (andando) SV F0 ML 7 AL N  A.Especial Ácido save vs wand ou 'marcado' Se a bolsa for perfurada save vs wand ou 1d4

De punaré (ou punari), mamífero roedor da família dos equimídeos, do gênero Thricomys, rato silvestre dotado de grande cauda peluda e escura (D'Abbevile, Histoire, 251v) + ty (rio, água).

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

A toca dos suçuarabás

    Para começar uma nova campanha em uma das mesas que mestro utilizei o ASE 1 - Anomalous Subsurface Environment, seguem algumas traduções que utilizei que podem facilitar seu trabalho mas, antes, quero discutir a razão pela qual traduzo nomes próprios, muitas vezes para neologismos tupis.

É impossível descrever a riqueza de detalhes que nossos sentidos absorveriam se estivéssemos realmente nas masmorras que desafiamos, e ao contrário, uma descrição concisa e evocativa faz com que nosso cérebro preencha o restante com nossas próprias referências, tocando no que nos parece maravilhoso ou aterrador ou dramático.

No rpg o uso de vocabulário exótico facilita uma mentalidade fantástica e de estranhamento. Para que isso ocorra deve haver uma conexão, que leve do familiar ao insólito. Devido ao grande número de palavras e toponímias que herdamos do tupi a maioria dos jogadores já conhecem muito da língua, mesmo que não saibam disso. Os sons, os prefixos e sufixos ocorrem naturalmente, trazem a ancestralidade, um papo de gente velha, ao qual estamos intimamente ligados.

Na minha terra de mil torres, 'Chelmsfordshire' se tornou 'Arroio dos Ratos', arroio é um regato, um pequeno curso d'água não permanente. Tentei trazer a ideia de afastamento de Denethix e da pobreza do solo, além disso, introduzi alguns ratões do banhado radioativos nas redondezas. Uma cidade de mesmo nome existe no Paraná atual mas ambas só compartilham o nome. Já a única taverna da vila: 'Muddy Cup' virou o 'Copo Sujo'.

As tavernas de Retênis: O Faisão Berrante, O Camponês Rebelde, O Feiticeiro Exuberante e o Reduto do Bopipepó.

Onde senti que a imersão poderia ser mais prejudicada foi nos novos monstros apresentados no livro:

Os Suçuarabás, humanóides com mais de 2 metros de altura, maciçamente musculosos de pelo fulvo curto e cabeça leonina com espessas jubas. Originalmente com nome Moktar preferi criar um neologismo tupi juntando suçuarana (onça parda) com abá (homem), gostei dessas escolha pois aba também significa cabelo e remeteria às jubas.

O Bopipepó, um tipo de veado com gigantescas asas de morcego, grandes chifres e coberto de pelos e escamas marrons que projeta a sombra de um humano. Originalmente com nome Peryton, utilizei os termos bopi (o que fura a pele, nome genérico para morcego) e pepó (asa) tanto por ser a característica mais marcante do monstro como por ser um aviso de seu primeiro ataque, um voo rasante que busca empalar a vítima com seus chifres.



Sobre esse Blog

Utilizarei esse blog para desenvolver e adaptar aventuras de rpg com elementos dos povos originários e migrantes da américa do sul, principalmente os tupi e povos sambaquieiros.

Senti essa necessidade pois os meus próprios cenários de fantasia contém elementos que desfavorecem o uso de estrangeirismos e palavras em inglês. Utilizo frequentemente palavras ou construo neologismos a partir de dicionários de tupi antigo para substituir esses termos.

Essa vontade nada tem a ver com identirarismo no sentido de que quem joga deva encontrar-se ou ver-se nos jogos, tampouco tem viés educativo. O grande incentivador é colher e ajudar a frutificar os elementos fantásticos da nossa terra e do nosso povo que melhor convivem e expandem as aventuras de espada e feitiçaria.

Toda nomenclatura, toponímia, etmologia nesse blog é subordinada à fantasia, sem pretensão de estudo acadêmico e com simpatia ao movimento de renascimento do tupi antigo e do uso do nheengatu.

O nome do blog é uma homenagem ao movimento OSR, construído pela reduplicação de 'ar-' (nascer) e 'umuana' (velho, antigo), fazendo referência ao renascimento da língua que todo mundo entende e do jogo que todo mundo joga.