Para começar uma nova campanha em uma das mesas que mestro utilizei o ASE 1 - Anomalous Subsurface Environment, seguem algumas traduções que utilizei que podem facilitar seu trabalho mas, antes, quero discutir a razão pela qual traduzo nomes próprios, muitas vezes para neologismos tupis.
É impossível descrever a riqueza de detalhes que nossos sentidos absorveriam se estivéssemos realmente nas masmorras que desafiamos, e ao contrário, uma descrição concisa e evocativa faz com que nosso cérebro preencha o restante com nossas próprias referências, tocando no que nos parece maravilhoso ou aterrador ou dramático.
No rpg o uso de vocabulário exótico facilita uma mentalidade fantástica e de estranhamento. Para que isso ocorra deve haver uma conexão, que leve do familiar ao insólito. Devido ao grande número de palavras e toponímias que herdamos do tupi a maioria dos jogadores já conhecem muito da língua, mesmo que não saibam disso. Os sons, os prefixos e sufixos ocorrem naturalmente, trazem a ancestralidade, um papo de gente velha, ao qual estamos intimamente ligados.
Na minha terra de mil torres, 'Chelmsfordshire' se tornou 'Arroio dos Ratos', arroio é um regato, um pequeno curso d'água não permanente. Tentei trazer a ideia de afastamento de Denethix e da pobreza do solo, além disso, introduzi alguns ratões do banhado radioativos nas redondezas. Uma cidade de mesmo nome existe no Paraná atual mas ambas só compartilham o nome. Já a única taverna da vila: 'Muddy Cup' virou o 'Copo Sujo'.
As tavernas de Retênis: O Faisão Berrante, O Camponês Rebelde, O Feiticeiro Exuberante e o Reduto do Bopipepó.
Onde senti que a imersão poderia ser mais prejudicada foi nos novos monstros apresentados no livro:
Os Suçuarabás, humanóides com mais de 2 metros de altura, maciçamente musculosos de pelo fulvo curto e cabeça leonina com espessas jubas. Originalmente com nome Moktar preferi criar um neologismo tupi juntando suçuarana (onça parda) com abá (homem), gostei dessas escolha pois aba também significa cabelo e remeteria às jubas.
O Bopipepó, um tipo
de veado com gigantescas asas de morcego, grandes chifres e coberto de
pelos e escamas marrons que projeta a sombra de um humano. Originalmente
com nome Peryton, utilizei os termos bopi (o que fura a pele, nome
genérico para morcego) e pepó (asa) tanto por ser a característica mais
marcante do monstro como por ser um aviso de seu primeiro ataque, um voo
rasante que busca empalar a vítima com seus chifres.
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